Avaliações6 min de leitura

Cartão de carregamento elétrico: qual escolher em 2026

Como escolher o cartão de carregamento do carro elétrico em 2026: CEME, operador, tarifa Mobi.E, pagamento com cartão bancário e o que muda com a nova lei.

Inês CarvalhoInês CarvalhoAvaliações
Cartão de carregamento elétrico: qual escolher em 2026
Antes de fechar negócioVerifique o histórico da viatura pelo número de chassis, confirme o ISV e o IUC nos simuladores e compare o preço pedido com os anúncios ativos do mesmo modelo.

Resposta rápida: não há um cartão de carregamento que seja o mais barato em todos os postos. O preço final de cada carregamento junta a tarifa do comercializador (CEME), a tarifa do operador do posto (OPC) e o IVA, e o peso de cada parte muda de posto para posto. A escolha sensata é um cartão com energia barata para o dia a dia e, se fizer muitas viagens, um segundo para a autoestrada. Antes de decidir, compare as ofertas no simulador de mobilidade elétrica da ERSE.

Como funciona o carregamento na rede Mobi.E

Em Portugal, a grande maioria dos postos públicos está ligada à rede Mobi.E. Com um único contrato consegue carregar em postos de operadores diferentes, algo que em Espanha ou França ainda obriga a várias aplicações. Em cada carregamento intervêm duas entidades:

  • OPC (operador do ponto de carregamento): instala e mantém o posto e cobra pela sua utilização, ao minuto, ao kWh, por sessão ou numa combinação destas.
  • CEME (comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica): é com quem faz o contrato. Vende a energia ao kWh, emite o cartão ou a aplicação e envia a fatura mensal.

Há ainda a tarifa da entidade gestora da rede (EGME). Em 2026 desceu para 0,1088 € por carregamento, contra 0,1572 € em 2025, segundo a Mobi.E. É paga pelos comercializadores e operadores e acaba refletida, em pequena parte, no preço final.

Posto de carregamento público numa rua calcetada de uma vila portuguesa com casas de azulejo
Nos postos lentos de rua, o que mais pesa na fatura costuma ser o preço da energia do comercializador.

Como ler a fatura de um carregamento

Veja um exemplo simplificado, com valores meramente ilustrativos, de 30 kWh carregados em 40 minutos num posto rápido de 50 kW:

  • Energia do comercializador: 30 kWh × 0,20 € = 6,00 €.
  • Tarifa do operador: 40 minutos × 0,10 € = 4,00 €.
  • Subtotal: 10,00 €, a que se soma o IVA à taxa normal (23% no continente): 2,30 €.
  • Total: 12,30 €, ou seja, cerca de 0,41 € por kWh.

Neste exemplo, o operador fica com uma fatia quase tão grande como a energia. Quando a tarifa é ao minuto, deixar o carro ligado depois dos 80% sai caro: a potência baixa, mas os minutos continuam a contar. Para perceber porquê, veja quanto tempo demora a carregar um carro elétrico.

Qual o melhor cartão de carregamento elétrico?

Depende da forma como usa o carro. Os preços dos comercializadores mudam várias vezes por ano, por isso uma tabela publicada hoje fica desatualizada depressa. Em vez de um ranking, estes são os critérios que fazem diferença na conta:

  • Preço da energia (€/kWh): é o valor que o comercializador controla. Confirme se é fixo ou indexado ao mercado e se muda consoante a hora.
  • Custos fixos: mensalidade, custo do cartão físico, taxa por sessão ou valor mínimo por carregamento.
  • Descontos para clientes de casa: várias empresas de energia baixam o preço a quem já lhes compra a eletricidade de casa.
  • Aplicação: deve mostrar o preço total estimado antes de começar, incluindo a tarifa do operador.
  • Cartão físico RFID: em parques subterrâneos, sem rede no telemóvel, é o que garante o arranque do carregamento.
  • Roaming: se vai muitas vezes a Espanha, confirme se o cartão funciona lá e a que preço.

A lista oficial de comercializadores da Mobi.E tem mais de 30 empresas. Inclui elétricas como a EDP, a Galp, a Goldenergy ou a Iberdrola, petrolíferas como a Prio e a Repsol e plataformas digitais como a Miio ou a EVIO. Consulte sempre o tarifário atual no site de cada uma.

Dois cartões: um para a cidade, outro para a estrada

Quem não tem garagem e carrega quase sempre na rua deve procurar o preço de energia mais baixo, porque nos postos lentos a tarifa do operador pesa menos. Quem carrega em casa e só usa postos públicos em viagem deve olhar para os postos rápidos das autoestradas, onde a tarifa do operador domina.

Carteira com dois cartões de carregamento RFID na consola central de um carro
Ter dois cartões no carro dá para escolher o mais barato em cada posto e serve de reserva se um falhar.

Nada impede ter contrato com mais de um comercializador. Muitos condutores têm um cartão com energia barata e outro de uma empresa com desconto nos postos que usam em viagem, e escolhem na hora. Se ainda não sabe quanto gasta, comece por quanto custa carregar um carro elétrico em casa e compare com a rua.

O que muda com a nova lei da mobilidade elétrica

O Decreto-Lei n.º 93/2025 acaba com a figura do comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica e obriga os postos a aceitar pagamento avulso, sem contrato: com cartão bancário nos postos a partir de 50 kW e por outro meio eletrónico, como um código QR, nos restantes. O período de transição foi prolongado até 31 de dezembro de 2027 pelo Decreto-Lei n.º 155/2026.

Na prática, até lá o modelo atual e o novo convivem. O cartão do comercializador continua a funcionar na rede Mobi.E, e alguns postos já aceitam pagamento com cartão bancário. Durante a transição, vale a pena acompanhar as comunicações do seu comercializador sobre eventuais mudanças de condições.

Condutor encosta um cartão ao leitor sem contacto de um posto de carregamento rápido
Com a nova lei, os postos rápidos passam a aceitar cartão bancário, sem contrato prévio.

Onde carregar mais barato

Além do cartão, o local conta. Nos postos lentos, a tarifa do operador tende a pesar menos, e há ainda sítios onde se carrega sem pagar. Reunimos os principais no guia onde carregar carros elétricos gratuitamente em Portugal.

Se ainda está a escolher carro, no AUTO.MOTO.pt há hoje perto de 900 anúncios de carros elétricos usados, com preço mediano de cerca de 25 500 €. Mais de 600 estão na lista de elétricos até 30 000 euros.

Perguntas frequentes

Preciso de um cartão para carregar na rede Mobi.E?

Na maioria dos postos, sim: precisa de um contrato com um comercializador, com cartão físico ou aplicação. Durante a transição, cada vez mais postos aceitam também pagamento avulso com cartão bancário ou código QR.

O cartão de carregamento tem custo?

Depende do comercializador. Há comercializadores sem adesão nem mensalidade, mas outros cobram o cartão físico ou uma taxa por sessão. Confirme no tarifário antes de assinar.

Posso ter mais do que um cartão?

Pode. Não há limite de contratos, e ter dois cartões permite escolher o mais barato em cada posto.

Como sei quanto vou pagar antes de carregar?

Use a aplicação do comercializador ou o localizador de postos da Mobi.E, que mostram a tarifa do operador. Para comparar o preço da energia entre comercializadores, o simulador da ERSE é a fonte oficial.

O cartão funciona em Espanha?

Só se o comercializador tiver acordos de roaming. Nem todos os cartões portugueses funcionam fora do país, por isso confirme antes de viajar.

Comparar preços reais agoraVeja os carros usados à venda em Portugal, de particulares e de stands.Ver carros usados
Do artigo para a pesquisa

Carros usados relacionados com este tema

Do mercado

Carros usados em destaque agora

Continuar a ler

Artigos relacionados

Deixar um comentário
Só os utilizadores registados podem deixar um comentário.

O seu comentário