Em Portugal, a carta de mota tem três categorias: a A1, a partir dos 16 anos, para motas até 125 cm³ e 11 kW; a A2, a partir dos 18 anos, para motas até 35 kW; e a A, sem limite de potência, a partir dos 24 anos ou dos 20 para quem já tem a A2 há dois anos.
Tira-se numa escola de condução, com prova teórica e prova prática. As taxas do IMT somam 90 € e o curso, nas escolas que consultámos, custa cerca de 500 €.
Neste guia explicamos o que cada categoria permite conduzir, quem pode andar de 125 com a carta de carro, os passos para tirar a carta, quanto custa e quanto custam as motas usadas que servem para a primeira carta, com números dos anúncios do AUTO.MOTO.pt.

Carta A1: 125 cm³ a partir dos 16 anos
A categoria A1 abrange os motociclos até 125 cm³, com potência máxima de 11 kW (cerca de 15 cv) e uma relação potência/peso até 0,1 kW/kg. Inclui também os triciclos até 15 kW. É a carta das scooters e das motas pequenas que se veem todos os dias no trânsito de Lisboa e do Porto.
A idade mínima é 16 anos. Segundo o IMT, na página sobre cartas de motociclos, quem ainda não fez 18 anos precisa de autorização escrita de quem exerce o poder paternal e de uma certidão de nascimento narrativa completa.
Carta A2: motas até 35 kW a partir dos 18 anos
A carta A2 permite conduzir motociclos com potência máxima de 35 kW (cerca de 48 cv) e uma relação potência/peso não superior a 0,2 kW/kg. Pode ser tirada a partir dos 18 anos e inclui tudo o que a A1 permite.
Há um terceiro limite que muitos compradores esquecem: a mota não pode derivar de uma versão com mais do dobro da potência. Na prática, uma mota limitada a 35 kW só serve para a A2 se a versão original não passar dos 70 kW, cerca de 95 cv. As três regras vêm da Diretiva europeia 2006/126/CE, relativa à carta de condução.
Que motas dá para conduzir com a carta A2
Com a A2 pode escolher entre muitas naked, trail e scooters médias de origem com 35 kW ou menos, e também motas mais potentes vendidas numa versão limitada para a A2. Antes de comprar uma mota limitada, confirme que a limitação está documentada e que a potência de origem cabe na regra do dobro.
- serve para a A2: uma mota com 35 kW ou menos e com a relação potência/peso dentro do limite;
- pode servir, se for limitada: uma mota com mais de 35 kW e até 70 kW de origem, depois de reduzida a 35 kW;
- não serve: uma mota com mais de 70 kW de origem, mesmo que tenha sido limitada.
Carta A: todas as motas, aos 24 anos ou aos 20 com a A2
A categoria A não tem limite de cilindrada nem de potência. A idade mínima é 24 anos. Quem já tem a carta A2 há pelo menos dois anos pode chegar à A aos 20, no chamado acesso progressivo.
Para subir de categoria, ao fim de dois anos a escola deixa de ser obrigatória. O IMT indica que quem tem a A1 ou a A2 há mais de dois anos e quer passar, respetivamente, para a A2 ou para a A pode ir a exame em regime de autopropositura, sem passar pela escola de condução.
Com carta de carro posso conduzir uma 125?
Sim, em certas condições. Quem tem carta da categoria B válida pode conduzir motociclos até 125 cm³ e 11 kW se tiver 25 anos ou mais, ou, antes disso, se tiver habilitação válida para ciclomotores. A regra entrou no Código da Estrada com a Lei n.º 78/2009 e não exige exame de mota. A carta B também permite conduzir ciclomotores (categoria AM).
É uma regra portuguesa: noutros países, a carta B pode não chegar para conduzir uma 125. Se vai de mota para Espanha ou aluga uma scooter lá fora, confirme antes.
Quem tem carta B e quer a A1 na própria carta, por exemplo por ainda não ter 25 anos, pode ir a exame em autopropositura, sem escola de condução. Que modelos cabem nesta regra explicamos no artigo sobre que motas pode conduzir com carta de carro.

Como tirar a carta de mota, passo a passo
A carta de mota tira-se sempre através de uma escola de condução, exceto nos casos de autopropositura acima. O processo é o mesmo para a A1, a A2 e a A:
- residência: é preciso residir em Portugal há pelo menos 185 dias;
- inscrição na escola: leve o documento de identificação, o NIF e o atestado médico eletrónico; os menores levam também a autorização dos pais e a certidão de nascimento;
- licença de aprendizagem: a escola pede-a ao IMT e é com ela que faz as aulas práticas;
- aulas de código e de condução: nas escolas que consultámos, o curso de mota inclui 12 aulas práticas;
- prova teórica: o exame de código, marcado pela escola;
- prova prática: feita noutro dia, depois de aprovado no código;
- emissão da carta: depois de aprovado, a carta é enviada para a morada que consta na licença de aprendizagem.
Quem prefere o inglês pode pedir, na inscrição, a formação e a prova teórica nessa língua. O guia do gov.pt para tirar a carta de condução indica que a tradução da prova está prevista para as categorias A1, A2 e A, entre outras.
Quanto custa a carta de mota
O preço tem duas partes: as taxas do Estado, que são fixas, e o curso, que cada escola define. As taxas do IMT para motociclos são estas:
- licença de aprendizagem: 15 €;
- prova teórica: 15 €;
- prova prática: 30 €;
- emissão da carta de condução: 30 €.
No total são 90 €. É a escola de condução que paga estas taxas ao IMT, por isso pergunte se já estão incluídas no preço do curso. Segundo o IMT, os pedidos feitos no IMT Online têm 10% de desconto. O exame pode ser feito num centro do IMT ou num centro de exames privado, e o preço do exame pode variar conforme o centro escolhido.
Preço do curso nas escolas de condução
Os preços das escolas não são fixados por lei. Nas tabelas publicadas por três escolas de condução, consultadas a 10 de outubro de 2026, o curso de mota (A1, A2 ou A) custava entre 499 € e 520 €. Numa delas, os exames entravam à parte. Um curso combinado de mota e carro passava dos 1 200 €.
Na sua zona, o preço pode ser outro. Peça o orçamento por escrito e confirme se inclui exames, aulas extra e a repetição de provas em caso de chumbo.

Quanto custa uma mota para a primeira carta
A 10 de outubro de 2026 havia 469 motas à venda no AUTO.MOTO.pt. Agrupámos os anúncios pela cilindrada e pela potência que os vendedores indicaram. É uma referência de mercado, não uma garantia: confirme sempre a potência no certificado de matrícula.
- motas e scooters de 51 a 125 cm³ (carta A1): 77 anúncios, preço mediano de 3 090 €, metade entre 2 500 € e 3 700 €;
- só scooters de 51 a 125 cm³: 14 anúncios, preço mediano de 2 500 €;
- mais de 125 cm³ e até 47 cv declarados (carta A2): 58 anúncios, preço mediano de 4 950 €;
- de 48 a 95 cv (A2 só se for limitada): 161 anúncios, preço mediano de 6 750 €;
- mais de 95 cv (só carta A): 139 anúncios, preço mediano de 11 500 €.
Para começar, as scooters à venda são a porta de entrada mais barata. Com a A2, as motas trail e enduro e as naked e sport turismo têm muitas versões de 35 kW. Pode ver todas as motas usadas e novas à venda e filtrar por preço e por região.
Com a carta no bolso, há estradas para estrear a mota a menos de uma hora de casa. Juntámos cinco passeios de mota perto de Lisboa, de Sintra à Arrábida, que se fazem até numa 125.
Pesquisas relacionadas: perguntas frequentes
O que se pode conduzir com a carta A2?
Motociclos até 35 kW, com relação potência/peso não superior a 0,2 kW/kg e que não derivem de uma versão com mais do dobro da potência. Inclui também os veículos da A1 e da AM.
Qual é a diferença entre a carta A e a A2?
A A2 limita a potência a 35 kW e pode tirar-se aos 18 anos. A A não tem limite e exige 24 anos, ou 20 com dois anos de A2.
Quanto custa a carta A2 em Portugal?
As taxas do IMT somam 90 €. Nas escolas que consultámos em outubro de 2026, o curso custava entre 499 € e 520 €, e algumas cobram os exames à parte.
Com que idade posso tirar a carta de mota?
A A1 aos 16 anos, com autorização dos pais, a A2 aos 18 e a A aos 24, ou aos 20 se já tiver a A2 há dois anos.
Quem pode conduzir motas de 125 cm³?
Quem tem carta A1, A2 ou A e quem tem carta B válida e 25 anos ou mais. Antes dos 25, a carta B só chega se tiver também habilitação para ciclomotores.
Posso passar da A2 para a A sem escola de condução?
Sim. Com a A2 há mais de dois anos, o exame para a A pode ser feito em autopropositura, sem nova inscrição numa escola.






















