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Tesla Model 3: o elétrico que o tempo ajudou a provar

Tesla Model 3: o elétrico que o tempo ajudou a provar

SimonSimonMercado
Tesla Model 3: o elétrico que o tempo ajudou a provar
Antes de fechar negócioVerifique o histórico da viatura pelo número de chassis, confirme o ISV e o IUC nos simuladores e compare o preço pedido com os anúncios ativos do mesmo modelo.

Há carros que aparecem no mercado com grande impacto e desaparecem alguns anos depois. E há modelos que, mesmo com a chegada de dezenas de concorrentes, continuam a ser uma referência.

O Tesla Model 3 pertence claramente ao segundo grupo.

Quando chegou ao mercado, em 2017, ainda havia muitas dúvidas sobre os carros elétricos. Autonomia, carregamento, duração das baterias e até a própria ideia de usar um elétrico como carro principal eram temas discutidos quase todos os dias.

Hoje a conversa é diferente.

O Model 3 já tem vários anos de estrada, existem milhares de unidades a circular pela Europa e o mercado de usados está cheio de exemplares de diferentes anos, versões e baterias. Entretanto, a Tesla foi alterando o modelo, lançou versões mais eficientes, melhorou o interior e apresentou o conhecido restyling Highland.

É precisamente por isso que o Model 3 se tornou interessante: já não estamos apenas a falar de um carro novo cheio de promessas. Há experiência suficiente para perceber onde ele realmente é forte, onde existem compromissos e quais as versões que podem fazer mais sentido.

Porque é que o Tesla Model 3 continua tão relevante?

A resposta curta é bastante simples: eficiência, autonomia, tecnologia e uma utilização relativamente fácil no dia a dia.

Mas há outra razão menos óbvia.

O Model 3 apareceu numa altura em que os elétricos ainda eram vistos por muitos condutores como uma segunda opção. Hoje, um Model 3 pode perfeitamente ser o único carro de uma família, incluindo para quem faz viagens longas.

A própria Tesla apresenta atualmente o Model 3 de tração traseira com autonomia WLTP de 534 km, enquanto as versões mais recentes Long Range conseguem valores superiores. A marca também continua a apostar fortemente na eficiência energética, com consumos oficiais que podem ficar perto dos 13 kWh/100 km, dependendo da configuração.

Naturalmente, isto é WLTP.

Na vida real, a velocidade, o vento, a temperatura, a utilização do ar condicionado, o tipo de estrada e até as jantes escolhidas fazem diferença.

Mas é precisamente aqui que o Model 3 tem uma das suas grandes vantagens.

Não precisa de uma bateria gigantesca para conseguir uma autonomia competitiva.

Model 3 Standard, Long Range ou Performance?

Ao procurar um Tesla Model 3, é fácil ficar perdido entre nomes como Standard, Long Range, Dual Motor e Performance.

Na realidade, a escolha depende muito mais da utilização do que parece.

O Model 3 de tração traseira é a opção mais racional para quem procura um carro eficiente para utilização diária. É simples, relativamente leve e tem autonomia suficiente para a maioria das deslocações.

Depois aparece o Long Range.

Aqui a conversa muda. A maior bateria permite fazer viagens mais longas com menos paragens e algumas versões combinam essa capacidade com tração integral através de dois motores. É a configuração mais interessante para quem faz muitos quilómetros e quer juntar autonomia a prestações fortes.

No topo está o Model 3 Performance.

É difícil chamar-lhe simplesmente "carro económico". A versão atual anuncia 0-100 km/h em 3,1 segundos, tração integral e 571 km de autonomia WLTP, além de jantes específicas de 20 polegadas. Tesla Model 3 — especificações e configurador oficial

Ou seja, é perfeitamente possível ter um Model 3 extremamente rápido sem abandonar a utilização diária.

E esse equilíbrio sempre foi uma das características mais curiosas deste Tesla.

Highland: foi mesmo uma mudança importante

Quando se fala em Tesla Model 3 usado, o nome Highland aparece quase inevitavelmente.

O restyling introduzido em 2023 não foi apenas uma pequena alteração estética. A Tesla mexeu no exterior, no interior, no isolamento acústico, na suspensão e em vários detalhes relacionados com o conforto.

Visualmente, o Model 3 ficou mais limpo. Os antigos faróis deram lugar a uma frente mais moderna e o interior passou a ter uma apresentação mais cuidada.

Mas há uma diferença que se nota muito mais quando se conduz.

O Highland é mais silencioso e mais confortável.

É uma mudança importante porque alguns dos primeiros Model 3 eram conhecidos por uma experiência de condução mais "seca". A evolução do modelo aproximou-o de um carro convencional em termos de conforto, mantendo a resposta imediata típica de um elétrico.

Para quem está a pesquisar um Tesla Model 3 2021, 2022 ou 2023 usado, isto significa que vale a pena perceber exatamente qual a geração e configuração antes de comparar preços.

Um Model 3 mais antigo e um Highland podem parecer semelhantes num anúncio, mas a experiência ao volante não é exatamente a mesma.

E a autonomia?

Esta é provavelmente a pergunta que mais aparece quando alguém começa a pesquisar um Tesla usado.

"Quantos quilómetros faz?"

O problema é que não existe uma resposta única.

Um Model 3 Long Range pode fazer uma distância muito interessante numa viagem de autoestrada, mas o mesmo carro a 120 ou 130 km/h, com chuva e temperaturas baixas, terá naturalmente uma autonomia diferente daquela anunciada no WLTP.

Os dados independentes também mostram essa diferença.

Por exemplo, o EV Database estima autonomias reais diferentes consoante a temperatura e o tipo de utilização, mostrando claramente que a distância possível em autoestrada é inferior àquela conseguida em condições mais favoráveis.

É uma coisa importante para quem está a comprar o primeiro elétrico.

Não se deve olhar para o número do WLTP como se fosse uma promessa de quilómetros garantidos.

O mais interessante no Model 3 é que, mesmo depois de descontarmos uma margem realista, continua a ser um carro bastante eficiente.

E isso pesa muito mais numa viagem longa do que simplesmente ter uma bateria enorme.

A bateria é o grande ponto de interrogação nos usados?

Aqui entramos numa questão particularmente importante.

Um Model 3 usado pode ser uma compra muito interessante, mas a bateria deve fazer parte da avaliação.

Não significa que uma bateria com vários anos esteja automaticamente "gasta". As baterias modernas são construídas para durar muitos ciclos e a própria Tesla oferece atualmente uma garantia de oito anos para a bateria e unidade de acionamento, com o limite de quilometragem a depender da versão.

Ainda assim, existe degradação.

Um teste de longa duração realizado pela What Car? com um Model 3 Performance de 2019 mostrou precisamente como este tema deve ser analisado num usado. O carro tinha mais de 40.000 milhas quando começou o teste e a publicação acompanhou a autonomia obtida ao longo da utilização, comparando-a com o valor original.

Isto não significa que todos os Model 3 antigos tenham a mesma perda.

Significa apenas que, quando se compra um elétrico usado, não faz sentido olhar exclusivamente para quilómetros, preço e equipamento.

A condição da bateria também conta.

Comprar um Tesla Model 3 usado

É aqui que o Model 3 começa a ficar particularmente interessante.

Hoje é possível encontrar unidades de vários anos, desde os primeiros carros até aos Highland mais recentes. Há versões de tração traseira, Dual Motor, Long Range e Performance, com diferenças consideráveis de preço.

E, ao contrário de alguns elétricos mais antigos, o Model 3 continua a ter procura.

A Tesla também mantém uma oferta de veículos novos e usados no seu próprio inventário, o que permite ter uma referência dos preços praticados pela marca.

Mas num usado há algumas coisas que merecem atenção.

Primeiro, os pneus e as jantes.

Os Model 3 têm bastante binário disponível desde o primeiro toque no acelerador e é fácil gastar pneus mais depressa do que num carro convencional. Jantes com danos de estacionamento também são relativamente comuns em carros usados.

Depois, verificar o estado da carroçaria, interiores, ecrãs, bancos e todos os sistemas elétricos.

A What Car? recomenda precisamente atenção a elementos como cabos de carregamento, equipamento elétrico, jantes, carroçaria e histórico do veículo. A publicação também reúne vários recalls e problemas conhecidos de determinadas unidades, por isso vale a pena confirmar se todas as campanhas aplicáveis foram realizadas.

É uma verificação simples que pode evitar uma surpresa desagradável depois da compra.

Tesla Model 3 e segurança

Outro ponto que ajudou a construir a reputação do Model 3 foi a segurança.

O Euro NCAP testou o Model 3 em 2019 e o resultado foi particularmente forte: 96% na proteção dos ocupantes adultos, 86% na proteção de crianças, 74% na proteção de utilizadores vulneráveis da estrada e 94% nos sistemas de assistência à condução. Ver o teste de segurança do Tesla Model 3 no Euro NCAP

É importante, no entanto, não confundir os resultados de segurança com a ideia de que todos os sistemas eletrónicos tornam o carro autónomo.

O Model 3 continua a exigir atenção permanente do condutor.

E os custos de utilização?

É aqui que um Model 3 pode começar a fazer ainda mais sentido.

Não há óleo do motor, velas, embraiagem, escape ou várias das peças que encontramos num automóvel tradicional. Isso não significa manutenção zero.

Existem pneus, travões, suspensão, filtros, líquido de refrigeração, componentes de direção e toda a parte eletrónica do veículo. Mas a mecânica é muito mais simples. E existe outro detalhe interessante: a travagem regenerativa. Grande parte da desaceleração pode ser feita através dos motores elétricos, recuperando energia para a bateria. Além de ajudar na eficiência, isto reduz a utilização dos travões convencionais.

Para quem tem possibilidade de carregar em casa, a diferença no custo por quilómetro pode ser ainda mais interessante.

Antes de decidir, vale a pena perceber como funciona realmente a utilização de um elétrico em Portugal. No nosso guia sobre comprar um carro elétrico em Portugal, analisámos precisamente as vantagens, custos e principais questões que devem ser consideradas antes da compra.

Tesla Model 3 ou outro elétrico?

Hoje a escolha já não é tão óbvia como era há alguns anos.

Existem Hyundai, Kia, BMW, Mercedes, Volkswagen, BYD, Renault e muitos outros fabricantes com propostas muito competitivas.

A grande vantagem do Model 3 é que a Tesla teve tempo para aperfeiçoar a fórmula.

A rede Supercharger continua a ser um dos argumentos mais fortes para quem faz viagens longas. O sistema de navegação está integrado com o carregamento, o carro recebe atualizações através da internet e a experiência é bastante diferente daquela oferecida por muitos automóveis convencionais.

Mas também existem compromissos.

O interior é minimalista. Quase tudo passa pelo ecrã central. Para alguns condutores isso é moderno e intuitivo; para outros, determinados comandos físicos fazem falta.

Também não é o carro ideal para quem procura uma posição de condução elevada ou a sensação tradicional de um SUV.

É, acima de tudo, um sedan elétrico.

Então, ainda vale a pena comprar um Tesla Model 3?

A resposta é sim, mas depende da versão e do preço.

Um Model 3 antigo pode ser uma excelente forma de entrar na mobilidade elétrica sem pagar o preço de um carro novo. Um Highland usado, por outro lado, pode oferecer um equilíbrio muito interessante entre conforto, autonomia e tecnologia.

Para quem faz muitos quilómetros, o Long Range continua a ser uma das versões mais interessantes.

Para quem quer simplesmente um carro eficiente para todos os dias, a tração traseira pode ser suficiente. E para quem acha que um elétrico tem de ser aborrecido, existe o Performance.

O mais importante é não comprar apenas o logótipo Tesla.

Verificar a bateria, o histórico, os quilómetros, o estado das jantes e pneus, o equipamento e, sobretudo, comparar o preço com outras unidades semelhantes.

É aí que se percebe se estamos perante um bom negócio. O Model 3 já não precisa de convencer ninguém de que os elétricos podem funcionar como carro principal. O mercado já fez esse teste por ele. E talvez seja essa a melhor definição para este Tesla: um carro que deixou de ser uma promessa e passou a ser uma escolha comprovada pelo tempo.

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